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Fibromialgia: Novas descobertas e novo alvo de tratamento
Fibromialgia:
Novas descobertas e novo alvo de tratamento
A fibromialgia, na medicina moderna, é qualificada como uma síndrome ou transtorno de dor crônica, na qual a pessoa sente dores por todo o corpo. Esssas dores estão mais evidenciadas nas articulações, nos músculos, tendões, em outros tecidos moles. Causando fadiga, sonolência, indisposição, dores de cabeça, depressão e ansiedade. A fibromialgia ainda não tem cura.

Fibromialgia: Inflamação no cérebro, novo alvo de tratamento

Fibromialgia: Inflamação no cérebro, novo alvo de tratamento

Os cientistas há muito suspeitam que a inflamação no cérebro (neuroinflamação) pode ser a causa da amplificação dos sinais de dor no cérebro vistos na fibromialgia. Eles podem mostrar que este é o caso em animais de laboratório, mas essa teoria tem sido difícil de provar em humanos - principalmente porque os pesquisadores não podem facilmente biopsiar o tecido cerebral de pessoas vivas!

No entanto, alguns cientistas suecos muito criativos descobriram uma maneira diferente de avaliar os níveis de inflamação no cérebro; por amostragem do líquido cefalorraquidiano (LCR) que envolve o cérebro e a medula espinhal. Como o líquido cefalorraquidiano está em constante contato com o cérebro, ele reflete o que está acontecendo no cérebro.

Imagine derramar leite sobre um cereal matinal de arroz tufado com sabor de chocolate. Lentamente, o leite ficará marrom e mais doce, absorvendo o chocolate em pó e os açúcares do cereal. Em vez de beber o leite, se você enviasse uma amostra para um laboratório, você encontraria pequenas quantidades dos ingredientes do cereal.

Esse é o mesmo princípio que os pesquisadores suecos usaram na amostragem do líquido cefalorraquidiano na fibromialgia: qualquer substância química inflamatória no “suco do cérebro” deve ter sido absorvida pelo tecido cerebral. E o que eles descobriram foi que o LCR em indivíduos com fibromialgia continha níveis muito mais altos de inflamação em comparação com pessoas saudáveis. Em particular, havia níveis muito altos de certas substâncias químicas secretadas pelos neurônios (células cerebrais e nervosas) em resposta à lesão.

Muitas pesquisas com diferentes animais mostraram que a inflamação nos neurônios e em torno deles parece ser o fator chave na transição da dor aguda para a dor crônica, e no desenvolvimento da amplificação da dor vista em doenças como a fibromialgia. Este estudo não só confirma que esse processo está acontecendo em pessoas com fibromialgia, mas também fornece uma nova maneira de pensar em reduzir a dor da fibromialgia.

Tratamentos para diminuir a neuroinflamação

Nós já temos algumas evidências de que os tratamentos que reduzem especificamente os níveis de inflamação no cérebro podem diminuir os sintomas da fibromialgia. Muitos dos medicamentos que pensamos serem antiinflamatórios (como o ibuprofeno ou outros antiinflamatórios não-esteróides) não funcionam bem na inflamação do cérebro, mas existem alguns tratamentos que o fazem. O mais eficaz é chamado naltrexona de baixa dose (LDN), que é um medicamento, mas principalmente prescrito por médicos de medicina alternativa, já que a maioria dos médicos de medicina ocidental não está familiarizado com seu uso para a dor.

A naltrexona é um medicamento bloqueador de opiáceos que é prescrito em doses mais elevadas (50 mg) para tratar a dependência de opiáceos e álcool. Mas quando tomado em doses muito baixas (faixa de dosagem de 1 a 5mg), o LDN reduz a inflamação no sistema nervoso central. LDN atua em receptores específicos nas células do sistema imunológico no cérebro, chamadas células gliais, e diz a eles para voltarem à hibernação e pararem de liberar substâncias químicas inflamatórias. Isso permite que as células nervosas normalizem o volume da dor. Demonstrou-se que o LDN reduz significativamente a dor da fibromialgia em dois estudos feitos na Universidade de Stanford, e também diminuiu a hipersensibilidade à dor.

A Dra Liptan fala: "Clinicamente, descobri que este tratamento é muito eficaz em cerca de 60% dos pacientes para quem o prescrevo. O maior desafio é que ele não combina muito bem com analgésicos opiáceos.

Existem também alguns suplementos derivados de alimentos que podem ser capazes de acalmar a inflamação do cérebro, incluindo:

Cúrcuma: Esta especiaria amarela tem sido usada como um antiinflamatório na medicina ayurvédica indiana por mais de 7 mil anos. O ingrediente ativo da cúrcuma é uma substância química chamada curcumina, cuja pesquisa mostrou ter efeitos antiinflamatórios no cérebro.
Chá verde: Uma substância química chamada EGCG (-) - epigalocatequina-3-galato, extraída do chá verde, mostrou ser “fortemente protetora contra inflamação, dano oxidativo e morte celular” no cérebro.
Vegetais crucíferos: Um extrato de brócolis chamado sulforafano protege contra a inflamação cerebral e diminui o dano aos neurônios.

Finalmente, uma nova opção que ainda não é “médica”, mas que agora está sendo fortemente estudada é a cannabis (maconha medicinal). Alguns dos ingredientes ativos da maconha podem reduzir a neuroinflamação. Um dos principais componentes psicoativos da cannabis é chamado de canabidiol (CBD), e pesquisadores brasileiros descobriram que reduziu a neuroinflamação em camundongos.

Essa é uma boa notícia para aqueles que vivem onde a planta inteira da maconha ainda não é legal como remédio, já que alguns desses estados permitirão o acesso a opções exclusivas do CBD que são derivadas do cânhamo. As leis em torno da maconha medicinal e da CDB estão em constante mudança, por isso recomendo que você visite o site do Marijuana Policy Project para obter informações atualizadas sobre as leis em seu estado.

Outros estudos se concentraram na combinação de THC (o componente psicoativo da maconha responsável pelo “alto”) junto com o CBD. Pesquisadores espanhóis usaram uma toxina para produzir inflamação cerebral em ratos. Depois, os ratos que receberam uma combinação de extrato de THC e CBD mostraram menos inflamação e danos em seus cérebros.

Mais adiante, o tratamento da neuroinflamação na fibromialgia pode ser um dos pilares das opções de tratamento. Mas, por enquanto, pelo menos, temos algumas boas opções do mundo da medicina alternativa e natural a seguir.

Autor: Dra Ginevra Liptan, MD (Tufts University School of Medicine)